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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 6 — A montanha que respirava

Osai apareceu no horizonte como um dente quebrado. O vulcão não era o mais alto de Topázio, mas parecia mais próximo do céu do que qualquer montanha. Nuvens negras se enrolavam em sua cratera. Relâmpagos desciam sem tocar o chão e voltavam para cima, como raízes procurando uma árvore invertida. Quanto mais os Guardiões se aproximavam, mais difícil era respirar. O ar estava cheio de eletricidade. Cada inspiração arranhava a garganta. As marcas em seus corpos queimavam em ritmos diferentes, e o mapa de Thaurion tremia tanto que as linhas se desfaziam.

— A montanha não quer que entremos — disse Glaciron.

— Montanhas não querem nada — respondeu Luminor.

Uma pedra passou entre os dois e explodiu em faíscas. Zephirion caiu do céu, rolou na cinza e levantou-se com os cabelos de energia em pé.

— Retiro o que disse antes.

Esta quer alguma coisa. Aurelion ergueu o escudo quando outra rajada de pedras veio da encosta.

— Formação fechada.

Zephirion, procure uma passagem.

— Eu já estou procurando.

— Então pare de voar em círculos.

— Os círculos são parte da busca.

Emberion abriu as asas. O calor que saiu dele afastou a cinza por alguns metros, revelando uma trilha de obsidiana.

— Por aqui.

Thaurion aproximou-se da rocha. Havia marcas gravadas nela: sete riscos apontando para uma espiral.

— Este era um caminho de peregrinação dos antigos.

Osai não foi construído para ser conquistado. Foi construído para testar quem deseja sua força.

— Os testes podem ser rápidos? — perguntou Zephirion.

— Geralmente, não.

A trilha começou a subir. Logo no primeiro desfiladeiro, o vento desapareceu. Zephirion tentou invocar uma corrente e encontrou apenas um silêncio pesado. Seus pés perderam o chão. Aurelion agarrou seu pulso antes que ele escorregasse para o abismo.

— Eu tinha controle — disse Zephirion.

— Você estava caindo.

— É uma forma pouco elegante de controlar a gravidade.

Aurelion puxou-o de volta.

— Não faça piada com tudo.

Zephirion olhou para a mão que ainda segurava seu pulso.

— Se eu parar, talvez eu perceba o tamanho do abismo.

Aurelion soltou-o.

— Então não pare. Apenas não caia.

No segundo desfiladeiro, a temperatura subiu de repente. Glaciron começou a derreter pelas juntas. Gotas de água escorriam de seu rosto cristalino. Emberion aproximou-se.

— Posso aquecer o caminho, não você.

— Isso foi o que me preocupou.

A fênix sorriu.

— Quando eu disser para correr, corra.

— Quando eu disser para parar, você vai parar.

— Combinado.

— Você não parece alguém que combina.

— Estou tentando aprender.

Glaciron observou a chama que ardia entre os dedos de Emberion. Havia uma solidão naquela luz que parecia familiar. No terceiro desfiladeiro, a água de Abyssal começou a ferver. O tritão pressionou o tridente contra a pedra, tentando abrir um túnel subterrâneo. A rocha respondeu com uma corrente negra que subiu pelo cabo da arma. Abyssal largou o tridente. De dentro da corrente veio uma voz:

— Você voltou sem o clã.

Ele fechou os olhos.

— Não pertenço a vocês.

— Nem à superfície.

Luminor encostou uma lâmina na corrente. A luz chiou.

— Não precisa responder à pedra.

Abyssal abriu os olhos.

— Não é a pedra que fala.

O tritão puxou o tridente de volta e quebrou a corrente com uma onda curta. A água escura respingou no rosto de Luminor.

— Você se feriu? — perguntou Abyssal.

— Não.

— Está mentindo.

— Eu não me feri. Meu orgulho foi atingido.

— Então ele sobrevive. Mais acima, a trilha terminou diante de uma ponte estreita.

Do outro lado havia um arco de cristal azul. Entre eles e o arco, a tempestade se acumulava em uma parede viva. Thaurion ergueu o cajado.

— Para passar, teremos que atravessar juntos.

— Juntos quanto? — perguntou Aurelion.

— Sem deixar ninguém para trás.

O primeiro raio caiu. Aurelion fincou o escudo na ponte. O impacto fez seus joelhos cederem. Glaciron ergueu uma cúpula, mas o gelo rachou junto à borda onde tocava o metal. Abyssal puxou água das nuvens e abriu dois fios até as rochas abaixo da ponte. A descarga saltou para um deles. O outro se rompeu e atingiu a cúpula; uma agulha de gelo cortou o rosto de Thaurion.

— Afastem o metal da água! — gritou Abyssal.

Aurelion mudou o escudo de posição. Luminor se deitou sobre a ponte para cortar os filamentos escuros presos aos pilares. Não cortava os raios: cortava os vínculos que os obrigavam a perseguir o grupo. Sob a pedra, o canal de descarga começou a derreter. Restava um único pilar inteiro. Glaciron enfiou o braço pela rachadura da cúpula e refez a parede. A parte de fora de sua mão escureceu, arrancada pelo calor. Emberion conteve o impulso de lançar fogo. Aproximou-se por trás e absorveu o calor que escapava do gelo.

— Ainda aguenta? — perguntou.

— O pilar não.

Os dois olharam para o apoio, agora inclinado sobre o abismo. Zephirion abriu os braços.

— Eu preciso de três segundos!

— Você tem dois! — gritou Aurelion.

O senhor dos ventos fechou os olhos. Em vez de obrigar o ar a obedecer, escutou. Havia uma corrente escondida atrás do rugido, uma respiração irregular da própria montanha. Zephirion seguiu o sopro. O vento voltou como uma fera libertada. Ele girou ao redor do grupo, curvou os raios e abriu um corredor azul na tempestade.

— Agora!

Todos correram. Um raio atingiu a ponte. A pedra se partiu atrás de Emberion. A fênix saltou, bateu as asas e caiu do outro lado, agarrado ao arco. Aurelion voltou para buscá-lo.

— Vá!

— Não deixo ninguém para trás.

Emberion lançou uma chama que empurrou o cavaleiro para a margem segura. Aurelion caiu de costas, ainda segurando o pulso dele. O peso quase o levou de volta ao abismo. Luminor agarrou a correia de sua armadura, e os três recuaram juntos enquanto a ponte desabava. Por um instante, os dois ficaram frente a frente.

— Eu não precisava ser salvo — disse Emberion.

— Eu também não.

O arco de cristal se abriu. Dentro do vulcão, algo enorme acordou. O som não foi um rugido. Foi o primeiro trovão de uma tempestade que ainda não existia.