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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 30 — O ritual da lembrança

O grupo caiu sobre uma plataforma de pedra no Vale do Esquecimento. Ash'kar estava no centro, preso por correntes de luz e sombra. O corpo se contorcia entre duas formas. Quando a chama negra subia, a fênix rugia. Quando a dourada aparecia, uma voz fraca pedia ajuda. Nirvok mantinha o ritual com a foice cravada no chão.

— Não vão arrancá-lo de mim.

Aurelion ergueu a espada quebrada.

— Ele nunca foi seu.

— Ele escolheu o fogo.

— Ele escolheu salvar todos.

— E vocês deixaram-no pagar sozinho.

Aurelion avançou. Nirvok girou a foice. A ausência atravessou a plataforma. O cavaleiro bloqueou, mas foi lançado para trás. Luminor entrou no duelo. Suas lâminas atacavam de lados opostos, forçando Nirvok a recuar. Glaciron congelou a base da foice. Abyssal encheu as fissuras com água. Zephirion criou um anel de vento para impedir que as correntes se fechassem. Thaurion aproximou-se de Ash'kar.

— Vou entrar.

— Entrar onde? — perguntou Zephirion.

— Na parte dele que ainda lembra.

— E se não encontrar a saída?

Thaurion olhou para a fênix de fogo negro.

— Então vocês me puxam de volta.

Aurelion ergueu o frasco que guardava desde Pyralis. A pequena fênix tocou o vidro com o bico; a cinza dourada atravessou a parede e se reuniu em seu peito. Quando Thaurion estendeu a mão, o pássaro se desfez em um fio de calor e entrou pela marca da palma. A forma pequena não voltou a aparecer. O que ela preservara de Emberion seguia agora para encontrar a parte aprisionada em Ash'kar. O ritual começou. Thaurion encostou a cicatriz no peito de Ash'kar. O mundo se dobrou. Ele encontrou Emberion diante de uma porta.

Do outro lado havia o fogo de Pyralis, mas também todos os momentos de dor. Aurelion dizendo que a chama deveria ser protegida. Thaurion falando sobre o preço. Zephirion fazendo piadas para esconder o medo. Luminor exigindo uma formação. Glaciron oferecendo gelo para a queimadura. Emberion estava sentado diante da porta.

— Não consigo voltar.

Thaurion sentou-se ao lado dele.

— Por que não?

— Porque eles viram o que eu virei.

— Eles viram o que você fez para sobreviver.

— É a mesma coisa.

— Não é.

Emberion olhou para ele.

— Você também abriu uma porta.

Thaurion sentiu o chão desaparecer.

— Como sabe?

— Eu ouvi a sua memória quando estava no templo.

— Eu não queria que você carregasse isso.

— Ninguém quer carregar nada.

Por isso o Vazio oferece alívio. Thaurion encostou a palma na porta.

— Eu falhei com Kael’Thar.

— E está tentando não falhar comigo.

— Sim.

— Então não me diga para voltar. Diga a verdade.

O minotauro chorou.

— Eu tive medo de que seu sacrifício não significasse nada.

Emberion baixou a cabeça.

— O fogo não precisa significar.

Precisa continuar. Do lado de fora da memória, Nirvok cortou o anel de vento. Zephirion caiu. A foice atingiu Abyssal, abrindo uma rachadura em seu ombro. Luminor atacou com fúria. Nirvok desviou e o golpeou no peito.

— Vocês vão quebrar a si mesmos para devolver um nome a alguém que já escolheu outro.

Aurelion voltou a erguer-se.

— Então teremos que lembrar mais forte.

Ele cravou a espada no chão.

— Emberion, você salvou minha vida em Osai.

Glaciron fincou a lança.

— Você ficou ao meu lado em Pyralis quando eu estava derretendo.

Abyssal ergueu o tridente.

— Você nunca perguntou por que o mar me rejeitou.

Luminor levantou a lâmina rachada.

— Você me ensinou que uma chama pode ser controlada sem ser diminuída.

Zephirion criou um fio de vento.

— Você riu da minha pior piada.

— Foi uma péssima piada — disse Emberion de dentro da memória.

Zephirion sorriu.

— Mas você riu.

As lembranças formaram um círculo em torno de Ash'kar. Nirvok gritou e lançou a foice contra o ritual. Thaurion saiu da memória a tempo de bloquear. A lâmina de ausência abriu o peitoral de cristal e rasgou seu flanco. O minotauro caiu. Luminor segurou a haste com as duas armas enquanto Glaciron fechava gelo sobre a fratura do peitoral. O ferimento continuava sangrando por baixo. Thaurion pressionou o manto contra ele e tentou erguer-se; a perna falhou. Kael’Thar apareceu atrás de Nirvok.

— O guardião que abriu a porta ainda quer ser o primeiro a fechá-la.

Thaurion, preso à foice, sentiu o Vazio invadir sua cicatriz. As sete marcas dos Guardiões começaram a escurecer.

— Não entreguem suas memórias! — gritou.

Ash'kar ergueu a cabeça.

— Thaurion.

O minotauro olhou para ele.

— Diga o seu nome.

— Emberion.

— Mais alto.

— Emberion!

A fênix explodiu em luz. A máscara negra se partiu em duas. Kael’Thar perdeu a forma. Nirvok foi lançado contra as ruínas. Emberion apareceu por um instante, metade dourado, metade violeta.

— Eu estou aqui.

O Vazio apertou o espaço. A plataforma inteira se rompeu. Todos caíram em direções diferentes, arrastados por corredores que não existiam. Thaurion tentou agarrar o braço de Emberion. Conseguiu tocar apenas uma pena. O Labirinto do Caos começou a se formar ao redor deles.