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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 41 — O preço do conhecimento

A queda da torre durou menos de um minuto e pareceu atravessar uma vida inteira. As plataformas desciam como folhas em uma tempestade. O reino sombrio se desfazia. Memórias libertadas cruzavam os céus de Topázio, procurando corpos, casas e nomes. Aurelion puxou Luminor para uma ponte que desaparecia. Glaciron usou gelo para criar degraus. Abyssal abriu uma corrente de água para amortecer a queda. Zephirion guiou os fragmentos para longe das aldeias. Emberion voava ao redor, queimando apenas as sombras que ameaçavam tocar as memórias. No centro da torre, Thaurion continuava selando o coração.

Cada ligação que ele fechava consumia uma lembrança. Primeiro, ele esqueceu o rosto de sua mãe. Depois, o som da primeira chuva. Depois, o nome do jovem guardião que caminhara com ele até a fenda. Thaurion segurou a última ligação.

— Não vou esquecer.

A escuridão pressionou seus dedos. A lembrança do acampamento se desfez antes que ele pudesse recuperar o rosto que buscava. Do lado de fora, Aurelion viu a forma do minotauro dentro do núcleo.

— Thaurion!

O som não atravessou. Emberion pousou na borda.

— Ele está ouvindo.

Aurelion cravou a espada partida na pedra.

— Então diga.

Os seis formaram um círculo. Aurelion bateu na pedra, procurando os olhos do minotauro.

— Thaurion, olhe para cá.

Estamos todos aqui. Luminor aproximou a lâmina curta do núcleo. A luz revelou o vulto por um instante.

— A marca do mapa ainda está no meu braço. Você disse que ia me ensinar a apagá-la quando voltássemos.

Glaciron tirou a pedra de Arcthar do bolso e a encostou no cristal.

— Você me trouxe de volta da floresta. Eu ainda me lembro do caminho.

Abyssal levou a mão livre à caixa presa ao peito do companheiro.

— Os cristais estão conosco. Vamos levá-los para Gaia.

Zephirion abriu a boca e não conseguiu falar. Bateu na pedra com a palma, uma vez, depois outra.

— Eu não terminei aquela história — disse, enfim.

— A da ponte. Você mandou que eu guardasse para depois.

Emberion dobrou a asa dourada sobre o ombro do cavaleiro.

— Você segurou o que restou de mim.

Agora escute. Não precisa se lembrar sozinho. Aurelion apoiou a testa no núcleo. A pedra queimava.

— Escute nossas vozes. Ainda estamos aqui.

As vozes atravessaram o núcleo. Thaurion ouviu. Ele afrouxou os dedos em torno da última ligação. Os oito pontos de ligação giraram ao redor do minotauro. Em vez de se fundirem, formaram um selo novo, uma estrela incompleta. Kael’Thar apareceu no outro lado do núcleo, preso à própria sombra.

— Você não pode apagar o Vazio.

— Não vou apagá-lo.

— Então ele voltará.

— Talvez.

Thaurion ergueu o cajado.

— Mas voltará para um mundo que lembra.

O selo fechou-se. Kael’Thar foi absorvido pela escuridão. Seu rosto tornou-se uma última fissura dentro do cristal. A torre explodiu em silêncio. Os seis Guardiões caíram através de uma luz branca. Aurelion tentou alcançar o núcleo. Por um instante, viu Thaurion do outro lado: o minotauro em pé, cajado no chão, rodeado por raízes douradas. Ele parecia menor, mas não assustado.

— Não olhe para trás — disse Thaurion.

— Eu não vou deixar você.

— Você não está deixando.

Está levando. Thaurion tocou o peito.

— Guardem o que aprendemos. E cuidem uns dos outros.

Aurelion estendeu a mão. Os dois quase se tocaram. A luz fechou-se. A Torre Obsidiana desabou sobre si mesma. No lugar da fortaleza, surgiu um círculo de cinzas negras e cristais dourados. As memórias libertadas caíram como chuva. Os Guardiões pousaram sobre a terra de Topázio. Aurelion não se moveu. Emberion pousou ao lado dele.

— Ele está em nós.

— Isso não é o mesmo que estar aqui.

— Não.

Luminor aproximou-se, segurando a nova lâmina.

— Mas é o que ele escolheu.

Glaciron olhou para o céu. As estrelas começavam a reaparecer. Abyssal ouviu o mar voltar a mover-se. Zephirion sentiu o vento encontrar o continente. No centro das cinzas, Emberion encontrou uma pequena flor de cristal ainda fechada. Aurelion a recolheu com as duas mãos. Esperaram até a luz acabar, mas nada mais se moveu entre os escombros.