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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 5 — O mapa sob a pele

O primeiro mapa não foi desenhado em papel. Nasceu dentro do corpo dos Guardiões. Ao amanhecer, cada um acordou com uma marca diferente. Aurelion trazia um traço dourado no pulso. Luminor tinha um risco luminoso atravessando o ombro. Zephirion encontrou três pontos azuis sobre as costelas. Glaciron descobriu uma linha branca no pescoço. Abyssal carregava um redemoinho na palma. Emberion tinha uma pequena brasa sob a clavícula. Thaurion não recebeu uma marca nova. A cicatriz antiga em sua mão abriu-se e sangrou luz, respondendo às outras seis. Ele escondeu a palma dentro da manga.

No Salão das Raízes, o minotauro mostrou aos outros um mapa suspenso sobre a mesa. As linhas eram feitas de luz viva e mudavam conforme as marcas pulsavam.

— O primeiro cristal acessível está em Osai — explicou.

— É chamado de Cristal da Tempestade.

Nos registros mais antigos, ele aparece como a face celeste do Cristal do Ar.

— E por que começamos por ele? — perguntou Luminor.

— Porque a tempestade já começou a se mover.

No mapa, uma nuvem negra girava sobre o vulcão. Emberion inclinou-se para a projeção. A brasa sob sua clavícula respondeu com um brilho vermelho.

— Há fogo preso naquela montanha.

— Há fogo em qualquer montanha — disse Glaciron.

— Não este.

— Você diz isso de todas as montanhas.

— Só das que me chamam pelo nome.

Zephirion sentou-se sobre a mesa.

— Excelente.

Temos um vulcão que fala, uma floresta que escolhe e um templo que exige sacrifícios. Alguém conhece um destino com comida? Abyssal ergueu uma sobrancelha.

— No mar, há cidades onde servem enguias de cristal.

— A pergunta era sobre comida.

Pela primeira vez, Glaciron fez um som que talvez fosse uma risada. O momento leve acabou quando Thaurion colocou oito pequenas pedras sobre o mapa.

— Estas são peças de estudo.

Cada uma representa um dos pontos da rede; não são os cristais que buscamos. Thaurion afastou a peça escura.

— Não sabemos onde o oitavo se encontra.

Qualquer contato com um fragmento ligado a ele pode abrir passagem para a corrupção. Aurelion aproximou-se.

— Você já disse isso.

— E vou continuar dizendo até que compreendam.

— Se sabe tanto, por que não nos contou antes?

O salão esfriou. Thaurion encarou o cavaleiro. Poderia ter contado sobre a planície branca, sobre a fenda, sobre a voz e a mão que tocara a escuridão. Poderia ter dito que a corrupção tinha um rosto antigo e que talvez o rosto o conhecesse melhor do que qualquer um dos sete. Em vez disso, falou:

— Porque alguns conhecimentos se tornam armas no instante em que são nomeados.

— Isso é medo.

— É culpa.

Aurelion não esperava aquela resposta. O minotauro voltou-se para o mapa.

— Partiremos ao meio-dia.

Luminor pôs a lâmina rachada sobre a mesa.

— Antes disso, preciso saber o que podemos fazer sem destruir uns aos outros.

A pergunta obrigou Thaurion a interromper os preparativos. Sentaram-se ao redor do mapa, ainda com as roupas do combate. Pela primeira vez naquela manhã, ninguém tentou falar mais alto que os demais. Abyssal abriu um cantil sobre a mesa e deixou três gotas flutuarem acima da boca.

— Posso mover água.

Encontrá-la na rocha, no ar, na terra. Se não houver água perto, acabo puxando de mim. Depois de certo ponto, minhas guelras fecham. Glaciron tocou uma gota. O gelo cresceu devagar, transparente.

— Eu retiro calor.

Precisamos dar a ele algum lugar para ir. Emberion aproximou o dedo e recebeu a pequena faísca liberada. A gota congelou sem se partir. Os dois observaram a troca com curiosidade, como trabalhadores descobrindo que suas ferramentas se encaixavam. Zephirion experimentou suspender a gota congelada. O esforço fez a ferida do queixo voltar a sangrar.

— E eu posso empurrar. Não posso pedir que vocês deixem de pesar.

— Então avise quando soltar alguma coisa — disse Abyssal.

Luminor mostrou o centro da lâmina.

— A luz revela os pontos de ligação.

Posso cortá-los, mas preciso enxergar o que está atrás. Se me cegarem com fogo ou água, acerto uma pessoa. Aurelion afrouxou a correia do escudo.

— Minha armadura pode recompor a superfície.

Precisa de tempo. O que chega ao cristal do peito não desaparece quando o metal fecha. Todos esperaram por Thaurion. O minotauro recolheu a gota, ainda suspensa. Desenhou um selo simples sobre a mesa. A água retornou ao cantil.

— Eu restabeleço vínculos. Às vezes, preciso usar uma lembrança minha para encontrar o caminho.

Quanto mais danificado o vínculo, mais me custa lembrar depois.

— Esquecer o quê? — perguntou Luminor.

Thaurion demorou a guardar o cantil.

— Essa é a parte que não consigo escolher.

Aurelion estendeu o braço sobre a mesa. Os outros fizeram o mesmo, aproximando as marcas.

— Quem precisar parar, fala.

Quem ouvir, ajuda. Zephirion olhou para as seis mãos e para a asa que Emberion acomodara entre elas.

— Isso inclui quando o líder achar que aguenta mais um golpe?

Aurelion apertou a atadura do próprio braço.

— Principalmente.

Antes da saída, os Guardiões percorreram o templo para ver os danos. Lia dormia sob uma escadaria quebrada, enrolada no manto que Mara lhe deixara. Luminor criou uma pequena esfera de luz junto dela, protegida pela concha de suas mãos. Quando a esfera flutuou sobre o rosto da menina, ela abriu os olhos.

— Você é um anjo?

— Não.

— Então por que brilha?

Luminor ficou sem resposta. Zephirion, passando atrás dele, sussurrou:

— Diga que é porque tem medo do escuro.

Luminor lançou-lhe um olhar.

— Não tenho.

— Todos têm.

Na saída, Glaciron encontrou a menina tentando tocar a geada que se formava em seu braço. Desta vez, não recuou. Deixou que ela encostasse. A criança abriu um sorriso ao ver pequenos cristais nascerem sob seus dedos.

— Parece uma estrela.

Glaciron olhou para o cristal.

— Estrelas também podem cair.

— Mas continuam sendo estrelas.

Ele não encontrou resposta para aquilo. Pela estrada do oeste, Aurelion caminhava à frente. Emberion voava baixo, lançando sombras longas sobre os companheiros. Abyssal seguia em silêncio. Zephirion cruzava o céu e voltava antes que alguém sentisse sua falta. Luminor ficava perto de Thaurion. Glaciron fechava a retaguarda. No terceiro dia, encontraram uma árvore coberta por cristais negros. Abyssal foi o primeiro a ouvir o gemido vindo das raízes. Debaixo da terra, havia animais presos, seus corpos parcialmente transformados. Emberion queimou as raízes escuras sem ferir a árvore. Glaciron congelou o veneno.

Luminor cortou os veios restantes. Zephirion espalhou as cinzas para longe. Quando libertaram os animais, um deles, uma pequena raposa de pelo cinzento, ficou olhando para Aurelion. O cavaleiro ajoelhou-se e estendeu a mão. A raposa cheirou seus dedos, depois mordeu de leve a luva.

— Ela não confia em você — disse Zephirion.

— Ela está viva.

— Para você isso basta?

Aurelion levantou-se.

— Para começar, sim.

Naquela noite, montaram acampamento sob um céu sem lua. Thaurion ficou acordado, olhando o mapa. As sete marcas brilhavam ao redor dele. A cicatriz em sua mão pulsava no mesmo ritmo da oitava pedra. Uma voz veio do escuro.

— Ainda carregando todos nas costas?

Thaurion fechou os olhos.

— Você não está aqui.

— Eu estive aqui antes de você.

— Kael’Thar.

O nome escapou de sua boca. Do outro lado do acampamento, Aurelion abriu os olhos. Thaurion percebeu tarde demais. O vento apagou o fogo. E, no horizonte, o Vulcão de Osai lançou um relâmpago para o céu.