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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 31 — O labirinto começa por dentro

O Labirinto do Caos não tinha entrada. Ele começou no instante em que cada Guardião acreditou estar sozinho. Aurelion caiu em uma sala sem paredes. A espada estava em sua mão, mas não havia chão para fincá-la. Ao redor, portas flutuavam no escuro. Atrás de cada porta havia alguém que ele perdera. Uma criança da aldeia. Um soldado de Gaia. Um companheiro sem nome. Uma voz dizia:

— Escolha uma porta.

Luminor acordou em um salão dourado. Suas duas lâminas estavam inteiras. Centenas de guardiões de sua antiga ordem o aplaudiam. No centro do salão, uma cadeira vazia esperava por ele. Glaciron despertou em um campo coberto de neve. A chama de Arcthar ainda ardia em sua lança. Ao longe, uma vila congelada pedia socorro. Abyssal caiu em um oceano sem fundo. O clã nadava ao redor. As portas do reino estavam abertas, e os anciãos chamavam seu nome sem desprezo. Zephirion flutuava em um céu imóvel. Os espelhos da floresta cercavam-no.

No maior deles, a mulher desconhecida estendia a mão. Thaurion encontrou uma caverna que se parecia com a sua, mas todos os pilares estavam intactos. No centro, Kael’Thar esperava diante da fenda branca. Emberion não caiu. Foi espalhado. Uma parte de sua consciência estava em cada corredor. Ash'kar caminhava por um lado do labirinto. Emberion, por outro. Entre os dois havia uma parede de cristal que refletia todos os momentos em que ele escolhera ficar. O Labirinto falava com vozes conhecidas.

— Vocês só chegaram até aqui porque tiveram alguém para salvar.

— Sem essa pessoa, não sabem quem são.

— A família é apenas outra forma de medo.

As vozes tentavam separar os caminhos. Thaurion encarou Kael’Thar.

— Você criou isso.

— Eu apenas mostrei o que já existia.

— O medo não é uma verdade.

— É a verdade que a coragem tenta esconder.

Kael’Thar gesticulou. A fenda abriu-se. Do outro lado, Thaurion viu o passado. Viu a planície branca. Viu Kael’Thar antes da queda. Viu o momento em que os dois tocaram a escuridão.

— Você poderia ter ficado — disse Kael’Thar.

— Eu saí para salvar os fragmentos.

— Saiu porque teve medo de me ver desaparecer.

Thaurion sentiu a culpa esmagar o corpo.

— Sim.

O labirinto parou. Kael’Thar pareceu surpreso.

— Você admite.

— Admito.

— E ainda se chama guardião?

— Não sei.

Thaurion se aproximou da fenda.

— Mas sei que não vou deixar minha culpa escolher o futuro.

Ele colocou a mão dentro da escuridão. O labirinto respondeu com uma nota baixa. Um fio de luz conectou sua cicatriz aos seis outros caminhos. Thaurion ouviu as vozes dos companheiros, distantes, como estrelas atrás de nuvens. Luminor estava lutando com sua antiga ordem. Glaciron caminhava em direção à vila congelada. Abyssal recusava o trono do clã. Zephirion tentava fazer o céu se mover. Aurelion escolhia uma porta. Emberion chamava pelo próprio nome. Thaurion puxou o fio.

— Lembrem-se uns dos outros.

No corredor de Glaciron, a neve começou a derreter. No salão de Luminor, uma lâmina caiu. No oceano de Abyssal, a corrente mudou. No céu de Zephirion, uma pequena brisa nasceu. No quarto de Aurelion, uma porta se abriu sozinha. O Labirinto percebeu a conexão e atacou com força. As paredes se multiplicaram. Corredores giraram. Memórias se misturaram. Por um instante, Aurelion viu a floresta. Glaciron ouviu o mar. Luminor sentiu o fogo. Zephirion viu a espada. Abyssal ouviu a voz de Thaurion. E todos ouviram Emberion gritar:

— Eu não sei qual de mim é verdadeiro!

Thaurion puxou o fio até quase partir a própria mão.

— Então escolha.

O grito de Emberion transformou-se em silêncio. Do outro lado do labirinto, Ash'kar sorriu.