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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 25 — Cinzas que respiram

A estrela caiu em uma cidade. Os Guardiões chegaram ao amanhecer e encontraram o lugar intacto por fora. Casas erguidas, fontes cheias, portas abertas. Nenhum sinal de incêndio ou batalha. Não havia pessoas nas ruas. Aurelion entrou na primeira casa. A mesa estava posta. Um pão ainda soltava vapor. Uma cadeira balançava sozinha. Luminor ergueu uma lâmina.

— Todos saíram ao mesmo tempo.

— Não saíram — disse Abyssal.

Ele apontou para uma parede. Sombras de pessoas estavam presas dentro da pedra. Eram contornos sem rosto, repetindo movimentos de antes: uma mulher levantando um copo, uma criança correndo, um velho fechando a janela. Sob os contornos presos nas paredes, os corpos dos moradores jaziam nas casas. Thaurion encontrou uma mulher respirando atrás de uma cadeira tombada. A sombra dela, mais acima, repetia o gesto de oferecer um copo. Zephirion se aproximou de uma sombra infantil.

— Você consegue me ouvir?

A sombra virou o rosto.

— Meu nome.

Zephirion recuou.

— Eles estão vivos?

Thaurion tocou a parede.

— Em algum lugar entre a lembrança e o Vazio.

Uma figura enorme caiu do céu. As Sombras Fraturadas saíram das casas e se juntaram em uma criatura com dezenas de braços. Cada braço carregava o rosto de um morador. Aurelion empunhou a espada.

— Protejam as sombras.

— Como lutamos sem feri-las? — perguntou Luminor.

— Descobrindo onde a cidade termina e a corrupção começa.

A criatura atacou. Glaciron ergueu uma muralha, mas os braços atravessaram o gelo. Abyssal criou correntes de água para separar os corpos. Zephirion lançou os rostos para o alto, um por um, mantendo-os fora do alcance da criatura. Luminor correu pelas paredes, cortando fios negros invisíveis. Aurelion protegia o centro. Thaurion procurava a estrela que caíra. A fênix de cristal voou do ombro do cavaleiro. Uma das sombras assumiu a forma de Emberion.

— Você me deixou — disse.

Aurelion congelou. O falso Emberion veio para cima dele. O cavaleiro poderia tê-lo destruído. Não fez isso. Levantou o escudo e recebeu o golpe.

— Você não é ele.

— Mas sente falta.

— Sinto.

— Então abra a porta.

A sombra enfiou os dedos na rachadura do escudo. A fênix de cristal mergulhou, atingindo a criatura com uma chama dourada. A forma de Emberion se desfez e revelou um núcleo negro enterrado no peito da cidade. Thaurion apontou o cajado.

— Ali!

Luminor e Glaciron abriram caminho. Abyssal inundou o núcleo. Zephirion retirou as sombras. Aurelion cravou a espada na pedra. O núcleo gritou. De dentro dele, uma mensagem atravessou a cidade: O fogo foi tomado. A luz será quebrada. O oitavo vai nascer. O núcleo explodiu. As sombras dos moradores foram lançadas ao céu como centenas de pássaros. Algumas pousaram nos corpos vazios. Outras desapareceram para sempre. A cidade voltou a respirar, mas não voltou a ser a mesma. Uma mulher acordou diante da casa.

— Onde está meu filho?

Zephirion tinha visto um contorno pequeno partir-se entre as mãos. Procurou a mesma figura nas janelas, no chão, em cada faixa de luz que ainda descia. Nenhuma tinha o rosto que a mulher descreveu. Aurelion guardou a espada.

— Qual é o nome dele?

Ela respondeu duas vezes, cada vez mais baixo. Luminor o anotou no tecido onde guardava os pedidos da estrada. Passaram o restante da manhã procurando com ela. Quando deixaram a cidade, havia uma busca em andamento e um lugar vazio à mesa de uma casa. Aurelion levava o endereço de mais uma família a quem não podia prometer um retorno. Zephirion virou o rosto. Luminor fechou as lâminas. Glaciron encostou a mão na parede, sentindo o vazio que restara. Thaurion segurou o Cristal da Vida.

— A corrupção está aprendendo a consumir não apenas matéria, mas lembranças.

— E o Vale do Esquecimento é o próximo passo — disse Aurelion.

O minotauro assentiu.

— Há uma coisa que preciso contar.

— Agora? — perguntou Luminor.

— Antes que alguém encontre primeiro.

Thaurion abriu o invólucro. A luz verde do cristal iluminou seu rosto.

— Os sete cristais mantêm vínculos que existiam antes dos templos. Não basta arrancar a doença de um lugar.

Precisamos interromper o caminho por onde ela volta. A pequena fênix pousou no ombro de Aurelion. Àquela altura, era tudo que tinham conseguido preservar de Emberion.

— E esse caminho começa onde? — perguntou Abyssal.

Thaurion olhou para a estrela caída, agora revelada como uma pedra negra. A luz atravessou sua superfície e voltou invertida.

— O Vale é a primeira passagem que consigo distinguir.

Uma voz sussurrou de dentro do fragmento. As sílabas chegaram sobrepostas; Thaurion afastou o ouvido antes que encontrassem lugar em sua memória. Ainda não sabiam o que falava sob o mundo. Ao norte, o Vale do Esquecimento abriu seus portões. E uma sombra com olhos carmesins começou a preparar uma coroa de fogo negro.