Capítulo 13 — Varnak, o que lembra raízes
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Varnak caminhou até a clareira central enquanto os Guardiões desapareciam em caminhos diferentes. Thaurion permaneceu diante dele.
— Você se lembra de mim.
— As raízes lembram tudo que toca a terra.
— Então sabe por que viemos.
— Sei por que fugiram.
O minotauro apertou o cajado.
— Eu não fugi.
Varnak inclinou o rosto de madeira.
— O mundo usa muitas palavras para esconder a mesma ação.
Ao redor deles, um lago de luz surgiu no chão. Dentro da água, apareciam imagens: o homem da armadura clara diante da fenda, Thaurion correndo com os fragmentos, o cristal escuro escondido dentro de uma coluna. Thaurion deu um passo para trás.
— Você não tem direito de mostrar isso.
— A floresta não pede direito à dor. Apenas a deixa crescer até que alguém a veja.
— Se eu falhei, foi para salvar o que restava.
— Você salvou sete fragmentos. Não conseguiu trazer quem estava com eles.
O minotauro fechou os olhos.
— Eu não podia salvá-lo.
— Talvez. Mas nunca permitiu que alguém lhe dissesse isso.
Varnak tocou o chão. As imagens se desfizeram.
— O julgamento não é punição. É uma pergunta.
— Qual?
— Quem vocês são quando ninguém está olhando?
Thaurion olhou para as árvores.
— E se a resposta for desagradável?
— Então ela será verdadeira.
O Guardião da floresta ergueu os braços. Cada trilha se iluminou com uma cor.
— Glaciron carregará o frio.
Abyssal, a maré. Luminor, a lâmina. Zephirion, o vento. Aurelion, o juramento. Emberion, a chama. Você, Thaurion, carregará o futuro.
— E se o futuro não puder ser salvo?
— Ninguém pede ao futuro que seja salvo.
Pede-se que seja escolhido. Um rugido percorreu a mata. Em algum ponto distante, um dos Guardiões havia começado seu julgamento. Varnak se aproximou de Thaurion.
— Há uma semente dentro da floresta que não nasceu. Você a verá.
— Uma semente?
— O nome ainda não existe. Mas a luz que ela carregará já está chamando.
Thaurion sentiu a cicatriz arder.
— Isso não faz parte dos sete.
— É por isso que o Vazio teme.
O minotauro ergueu o cajado.
— Kael’Thar sabe?
Varnak virou os olhos para o céu coberto.
— Kael’Thar acredita saber tudo que pode ser perdido.
Um estrondo atravessou a floresta. Nirvok estava próximo. Varnak fechou o punho e raízes se ergueram nas bordas da clareira.
— O servo encontrou uma porta entre as árvores.
— Mirakel vai detê-lo?
— Mirakel está ocupada julgando vocês.
— Então eu o detenho.
— Sozinho?
Thaurion olhou para as trilhas.
— Meus companheiros estão enfrentando coisas piores.
Varnak sorriu com um som de madeira partindo.
— É a primeira verdade que você diz sem medo.
Uma fenda escura se abriu na clareira. Nirvok surgiu do outro lado. A foice reconstruída repousava em seu ombro; uma emenda vermelha marcava o lugar onde Luminor cortara a haste.
— Sempre o mais sábio — provocou.
— Ainda correndo para que os outros enfrentem suas memórias?
Thaurion avançou com o cajado. Um selo dourado atingiu o peito de Nirvok, que foi arremessado contra um tronco. O servo voltou imediatamente, puxando a foice em um arco que apagou três raízes. Varnak rugiu. Galhos colossais prenderam Nirvok pelos braços.
— Você não pertence à floresta.
— A floresta pertence a quem se atreve a tomar suas raízes.
Nirvok bateu o pé na terra. A lasca que enviara de Osai respondeu debaixo da clareira, enterrada entre as raízes. Thaurion compreendeu tarde demais: a presença do servo atraíra a atenção de Varnak para longe do veneno. Veios negros começaram a subir. Thaurion reconheceu o perigo. Correu até a lasca, mas Nirvok o atingiu com a haste da foice. O minotauro caiu sobre o musgo.
— Deixe o julgamento terminar — disse o servo.
— Quero que todos voltem diferentes.
Nirvok desapareceu pela fenda. Varnak tentava conter a corrupção. Thaurion levantou-se com sangue luminoso escorrendo da testa.
— Você não pode lutar e curar ao mesmo tempo.
— Posso lembrar a floresta de como ela era.
— Memória não é cura.
— Às vezes é a primeira raiz.
Thaurion colocou a mão sobre o chão. Buscou a memória de Mirakel antes da doença, o primeiro broto, o primeiro rio, o primeiro ser que chamara a mata de casa. Uma luz verde explodiu sob a terra. Por um instante, os veios negros recuaram. Ao longe, alguém gritou o nome de um mestre morto. Outro grito respondeu do fundo do mar. O julgamento continuava. Thaurion fechou os olhos.
— Voltem inteiros — pediu, sem saber se falava com a floresta ou com os Guardiões.