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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 8 — A voz dentro do raio

Thaurion segurou o Cristal da Tempestade com as duas mãos. A pedra estava gelada, embora tivesse acabado de flutuar sobre a lava. O minotauro sentiu a memória de uma chuva antiga, depois o cheiro de ferro, depois o som de alguém chamando seu nome de muito longe. Ele tentou soltar o cristal. Não conseguiu. O mundo desapareceu. Thaurion estava sobre uma planície de vidro. Acima dele, um céu sem estrelas girava ao contrário. À sua frente, um guardião de armadura clara caminhava em direção a uma fenda. O rosto era indistinto, mas o passo era familiar.

— Não faça isso — gritou Thaurion.

O guardião não o ouviu. A fenda se abriu. De dentro, vieram vozes: algumas doces, outras desesperadas, todas usando palavras que Thaurion reconhecia.

— Eu posso fechar — disse o guardião.

— Você pode dominar — respondeu o Vazio.

O homem da armadura clara ajoelhou-se. Thaurion correu, mas cada passo o levava para mais longe. A planície se transformava em uma série de memórias. Ele viu a si mesmo jovem, viu o amigo sorrindo, viu os sete fragmentos sendo separados do coração dourado. Então o guardião virou-se. O rosto ainda era uma sombra, mas os olhos eram vermelhos.

— Você me deixou sozinho.

Thaurion caiu de joelhos.

— Eu tentei salvar o mundo.

— E quem salvaria você?

A mão escura atravessou o peito do guardião. A armadura se tornou negra em placas. A fenda fechou-se sobre os dois. O nome veio como um trovão: Kael’Thar. Thaurion acordou gritando. O cristal havia rachado suas luvas. A luz azul subia por seu braço. Aurelion ajoelhou-se diante dele.

— O que você viu?

Thaurion respirou com dificuldade.

— Um guardião corrompido.

— Isso nós já sabemos.

— O nome dele é Kael’Thar.

Aurelion empalideceu. O cavaleiro conhecia o nome. Não de livros. De uma promessa antiga, enterrada em uma sala que ninguém mais lembrava.

— Você o conheceu?

Thaurion não respondeu. O cristal pulsou outra vez. Uma linha negra atravessou sua superfície e formou uma imagem no ar: um rosto coberto por uma máscara, olhos carmesins e uma coroa de fragmentos.

— Guardiões — disse a voz.

— Vocês ainda acreditam que recolher pedras vai consertar o mundo.

Emberion abriu as asas.

— Mostre o rosto.

— Um dia, você vai pedir para não vê-lo.

O rosto da projeção mudou. Por um instante, Emberion viu a si mesmo coberto de cinzas. Depois Luminor viu seus companheiros mortos. Glaciron viu a montanha onde perdera seu mestre. Abyssal viu o trono do seu clã. Zephirion foi o único a atacar. Lançou uma lâmina de vento contra a imagem. A lâmina atravessou a projeção e abriu uma rachadura no ar.

— Não gosto de vozes que fazem ameaças sem aparecer.

— Então venha atrás de mim.

O cristal explodiu em luz negra. Uma onda atingiu a cratera. Aurelion fincou a espada no chão. Glaciron congelou as pedras. Abyssal ergueu um escudo de água. Luminor lançou as duas lâminas em cruz. Emberion bateu as asas e cobriu Thaurion. Mesmo assim, todos foram empurrados. No centro da explosão, o Cristal da Tempestade se dividiu em duas metades. Uma permaneceu azul. A outra ficou coberta de veios escuros. Thaurion segurou a metade pura. Aurelion pegou a corrompida antes que caísse na lava. As duas ainda se atraíam; um fio azulado permaneceu entre elas, esticado sobre o altar.

A pedra queimou sua mão. Dentro dela, uma memória se abriu: dois guerreiros treinando lado a lado. Um usava luz dourada. O outro, relâmpagos. Havia carinho entre os dois, mas também uma distância crescendo como uma rachadura. Aurelion largou a pedra sobre o escudo. Ela aderiu à superfície cristalina. A mão que a tocara já não fechava direito.

— O que ela mostrou? — perguntou Thaurion.

Aurelion cobriu a metade escura com a dobra do manto.

— Uma pessoa que não estava aqui.

— Conhecida?

— Não agora, Thaurion.

O vulcão começou a ruir. As colunas de cristal desabaram. A ponte de brasas se rompeu. O lago de lava subiu em ondas. Zephirion agarrou Luminor e lançou os dois para o arco de saída. Glaciron abriu uma passagem congelada. Abyssal criou uma corrente sob os pés de Thaurion. Emberion carregou Aurelion, que ainda segurava a metade corrompida. Antes de sair, Thaurion olhou para a fenda negra. Ela não estava mais vazia. Do outro lado, uma figura observava. E, embora o rosto permanecesse escondido, Thaurion sentiu o olhar de alguém que esperara séculos pelo retorno dele.