Capítulo 7 — Filhos da cratera
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A cratera de Osai era um mundo dentro do mundo. Rios de lava cortavam plataformas de pedra negra. Chuva caía do teto da montanha e evaporava antes de tocar o chão. Relâmpagos ficavam presos em colunas de cristal, vibrando como serpentes transparentes. No centro, suspenso sobre um lago de fogo, flutuava o Cristal da Tempestade. Era azul por dentro e prateado por fora. Tinha a forma de uma gota virada para cima, como se alguém tivesse congelado uma tempestade no instante em que ela começava. Ao redor do cristal, dezenas de criaturas abriram os olhos.
Eram feitas de lava, cinza e eletricidade. Algumas tinham corpos de lobos, outras lembravam guerreiros sem rosto. Em seus peitos brilhavam fragmentos do mesmo cristal que os Guardiões buscavam. Emberion deu um passo à frente.
— Eles não são naturais.
— Nenhuma criatura feita de lava deveria ter olhos observou Zephirion.
Os olhos de todas as criaturas se acenderam.
— Agora têm — disse Luminor.
O exército da cratera atacou. Aurelion recebeu o primeiro impacto no escudo. A criatura explodiu em uma onda de calor, e ele foi arrastado para trás. Glaciron deslizou pelo chão, criou uma lança de gelo e atravessou o corpo de um segundo monstro. A criatura se desfez, mas sua energia saltou para outra.
— Elas compartilham força! — gritou Glaciron.
— Então parem de matá-las uma por uma! — respondeu Thaurion.
Zephirion subiu ao teto da cratera. Sete relâmpagos o seguiram.
— Eu posso separar a corrente!
— Não use toda a tempestade! — avisou Thaurion.
— Quanto é toda?
— Você vai saber quando morrer!
Zephirion sorriu nervoso e girou o corpo. Criou uma espiral de vento que arrancou os relâmpagos presos das colunas. A tempestade se reuniu ao redor dele, grande demais para ser controlada. No chão, Abyssal abriu um círculo de água. A lava que tentava alcançá-lo endurecia em vidro. Ele puxou a corrente até formar uma muralha, mas os monstros saltaram por cima. Um deles assumiu a forma de um tritão jovem.
— Você fugiu — disse a criatura.
Abyssal hesitou. O monstro bateu nele com uma cauda de fogo. O tritão atravessou uma coluna e caiu entre cristais quebrados. Emberion pousou ao lado dele.
— Não olhe para o rosto.
— Eu conheço aquele rosto.
— Não. Você conhece a ferida que ele está usando.
Abyssal levantou-se, mas a criatura já vinha de novo. Ele deixou o tridente cair, agarrou o monstro com as duas mãos e o mergulhou na própria água.
— Meu nome é Abyssal!
A criatura se debateu.
— Eu escolhi sair!
A água explodiu. O falso rosto desapareceu. No alto, Zephirion perdeu o controle. A tempestade cresceu até cobrir a cratera. Raios começaram a atingir aliados e inimigos. Luminor ergueu as lâminas e criou um domo de luz sobre Aurelion.
— Zephirion!
Baixe isso!
— Eu estou tentando!
— Tente melhor!
— Ótimo conselho!
Um relâmpago atingiu Zephirion no peito. Ele despencou. Aurelion deixou a formação e correu. O cavaleiro saltou sobre uma plataforma que desabava e ergueu o escudo. Zephirion caiu em cima dele, e os dois rolaram para a borda do lago de lava.
— Eu tinha um plano — disse Zephirion, atordoado.
— Seu plano está queimando.
— Isso era a parte visual.
Emberion voou sobre eles, soltou uma rajada de fogo e criou uma ponte de brasas endurecidas. Aurelion carregou Zephirion pelo colarinho. Enquanto isso, Glaciron alcançou o cristal. Uma criatura gigantesca surgiu diante dele, com o corpo feito de rocha derretida e um coração de relâmpago. O guerreiro de gelo ergueu os punhos.
— Venha.
O monstro golpeou. Glaciron bloqueou e foi lançado contra o chão. O calor abriu fissuras em seu peito. Ele tentou formar uma lâmina, mas o gelo derreteu antes de se completar. Luminor apareceu entre os dois, cortando a mão do monstro.
— Você não precisa vencer sozinho.
— Eu não pedi ajuda.
— Eu não pedi permissão.
Luminor atacou o joelho. Glaciron congelou a perna. O monstro caiu, e ambos golpearam o coração ao mesmo tempo. A criatura se partiu. O cristal da tempestade vibrou. Thaurion percebeu que todos os monstros estavam conectados ao artefato. Se o cristal fosse arrancado à força, a cratera inteira explodiria.
— Não o removam! — gritou.
— Desatem a corrente!
Emberion pousou no altar de pedra.
— Como?
— Cada elemento precisa devolver o que recebeu.
Aurelion compreendeu primeiro.
— Zephirion, vento no alto.
Abyssal, água na base. Glaciron, congele as fissuras. Luminor, corte os nós de luz. Emberion...
— Fogo no coração.
— Não destrua o cristal.
— Eu sei a diferença.
O exército voltou a atacar. Os cinco Guardiões correram para suas posições. Aurelion manteve as criaturas longe de Thaurion. O minotauro desenhou oito selos sobre a pedra, cada um ardendo com uma cor diferente. Zephirion absorveu a tempestade e a guiou para cima. Abyssal ergueu uma coluna de água sob o altar, recolhendo a chuva que descia pelas paredes. Glaciron congelou a rocha sem apagar o fogo. Luminor cortou os fios invisíveis que ligavam as criaturas. Emberion enfiou a mão na lava. Por um instante, tudo ficou branco. O cristal bateu como um coração.
As criaturas pararam. E uma delas, a maior, falou com uma voz que não vinha de sua garganta:
— Oito. Então todos os monstros viraram cinza.
O Cristal da Tempestade desceu lentamente para as mãos de Thaurion. No fundo da cratera, uma rachadura negra respondeu.