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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 16 — As duas faces da luz

O templo de Luminor estava inteiro. Essa foi a primeira coisa que o feriu. As torres douradas da Ordem erguiam-se como antes da queda. Bandeiras luminosas flutuavam no ar. Guardiões de armadura clara treinavam no pátio. Luminor atravessou os portões e todos se viraram para ele.

— O último — disse uma voz.

Seu antigo comandante aproximou-se. Tinha o rosto que Luminor lembrava e os olhos que nunca conseguira esquecer.

— Você chegou quando já não havia ninguém para salvar.

Luminor apertou as lâminas.

— Eu tentei.

— Você tentou sobreviver.

O pátio se encheu de guerreiros. Cada um levantou uma espada. Luminor reconheceu todos: sua irmã de treinamento, o velho mestre, os amigos que haviam desaparecido na noite da queda.

— Dê-nos uma razão para perdoar você.

Luminor atacou. Suas lâminas se moveram mais rápido que a visão. Derrubou o primeiro adversário, depois o segundo. Cada figura se partia em luz e voltava a erguer-se. O comandante bloqueou um golpe.

— Você continua acreditando que velocidade é redenção.

Luminor girou, cortou o chão e abriu uma fenda no pátio. A ordem inteira caiu em um vazio branco. Ele ficou sozinho. Uma segunda versão de si mesmo saiu do portal. Era mais alto, mais brilhante e usava uma coroa de lâminas.

— Eu teria salvado todos — disse o reflexo.

— Você não estava lá.

— Por isso não falhei.

O reflexo atacou. O duelo foi perfeito demais. Cada golpe de Luminor era respondido antes de nascer. Cada abertura era uma armadilha. As lâminas se chocavam em uma chuva de faíscas douradas. Luminor percebeu que o outro não lutava para vencer. Lutava para provar que não poderia ser vencido. Ele recuou.

— Você quer que eu seja perfeito.

— Quero que ninguém morra por sua causa.

— Isso não é perfeição. É impossível.

— Então por que não aceita?

Luminor olhou para as lâminas. Uma delas estava inteira. A outra trazia a rachadura aberta em Gaia e alargada nas lutas de Osai. Ele jogou a lâmina rachada no chão. O reflexo hesitou. Luminor jogou a segunda.

— Porque eu não sou uma ordem inteira.

Sou o que sobrou dela. O reflexo avançou desarmado, com a força de todos os mortos. Luminor não pegou nenhuma lâmina. Deixou que o golpe o derrubasse. No chão, encarou a versão perfeita.

— Eu devia ter chegado antes.

— Sim.

— Devia ter sido mais forte.

— Sim.

— Devia ter salvado todos.

— Sim.

Luminor respirou.

— Mas não podia.

O templo começou a desaparecer.

— E se não podia, por que continua tentando?

Luminor se levantou.

— Porque agora eles não estão sozinhos.

O reflexo virou poeira luminosa. As duas lâminas reapareceram em suas mãos, mas a rachada agora emitia um brilho mais suave. Quando retornou à clareira, Luminor encontrou Glaciron e Abyssal esperando.

— Você perdeu a luta? — perguntou Abyssal.

— Perdi uma versão de mim.

— Às vezes é a melhor vitória.

Varnak observou a rachadura na lâmina.

— A luz que não aceita falhas se torna uma lâmina apontada para todos.

Luminor guardou as armas.

— E a luz que aceita?

— Torna-se caminho.

Uma rajada atravessou as árvores. Em algum lugar, Zephirion ria. O riso transformou-se em grito.