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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 28 — O vale do esquecimento

O caminho até o vale passava por um território onde os nomes perdiam peso. Placas de estrada não diziam mais para onde levavam. Rios não lembravam de onde vinham. Um cavalo de uma aldeia parou no meio da viagem e ficou olhando para o próprio dono, como se tentasse decidir se o conhecia. Os Guardiões não falavam dos próprios nomes. Em vez disso, cada um carregava um objeto que lembrava quem era. Aurelion levava a espada. Luminor, as duas lâminas. Zephirion, a folha azul. Glaciron, a lança com chama. Abyssal, o tridente.

Thaurion, o cajado. A pequena fênix, a cinza dourada guardada por Aurelion. Ao cruzarem a última montanha, viram o vale. Era uma depressão gigantesca, coberta por uma névoa púrpura. Torres de pedra flutuavam de cabeça para baixo. Pontes levavam a lugar nenhum. Dentro da névoa, memórias passavam como animais assustados. Zephirion voou até a borda. O ar não o sustentou. Ele despencou, mas Abyssal lançou uma corrente de água que o trouxe de volta.

— Pare de testar a gravidade.

— Eu estava testando a névoa.

— A névoa venceu.

Thaurion colocou o cajado no chão. Um caminho de pedras brancas surgiu entre os desfiladeiros.

— A névoa apaga o que não está ligado a nada.

Pense em uma pessoa que conhecem. Cada um procurou uma lembrança que conseguisse sustentar, ligada a um dos objetos que trazia. Aurelion pensou em Emberion. Luminor pensou em Aurelion. Zephirion tentou lembrar a mulher do espelho, mas o caminho falhou sob seu pé. Segurou a folha azul e pensou em Glaciron guardando seu lugar junto à fogueira. A pedra voltou a sustentá-lo. Glaciron pensou em Arcthar. Abyssal pensou no menino dentro do navio. Thaurion pensou no companheiro que perdera junto à fenda. O caminho permaneceu. Dentro do vale, o chão começou a sussurrar.

Pequenos fragmentos de memória subiam da névoa: uma mão segurando outra, uma canção, o cheiro de chuva, o gosto de pão. Se alguém tocava um fragmento, esquecia alguma coisa em troca. Zephirion viu uma luz azul em forma de olhos.

— Não toque.

— Eu só ia olhar.

— Olhar aqui já pode ser toque.

Um grito veio adiante. Nirvok surgiu sobre uma ponte de pedra, acompanhado por criaturas de cristal negro. A foice em sua mão havia sido reconstruída, mais longa, com um núcleo púrpura.

— Vocês trouxeram lembranças demais.

Aurelion ergueu a espada.

— Deixe Emberion.

— Ele deixou a si mesmo.

As criaturas avançaram. A ponte era estreita. Glaciron congelou suas laterais para criar apoio. Abyssal ergueu uma onda sob os pés dos inimigos. Luminor cortou dois espectros, mas a névoa refez seus corpos. Thaurion apontou o cajado para a foice.

— Nirvok, você ainda lembra da criança com a lanterna.

O servo vacilou.

— Não use esse nome.

— Você abriu a porta porque acreditou que alguém do outro lado responderia.

— Cala a boca!

Nirvok golpeou. A lâmina de ausência atravessou a ponte. Aurelion bloqueou, mas a espada perdeu um pedaço. Emberion, na forma de pequena fênix, voou contra a foice. A chama dourada fez o cristal negro estalar. Nirvok foi lançado para trás.

— A chama ainda está viva.

— Não por muito tempo — disse uma voz dentro da névoa.

O corpo de Emberion apareceu no alto do vale. Era uma figura alada, coberta por placas de cristal violeta e fogo negro. As penas queimavam sem luz. A metade do rosto ainda lembrava a fênix que os Guardiões conheciam; a outra metade era uma máscara de cinza. Ash'kar. A pequena fênix caiu no braço de Aurelion, tremendo. Ash'kar abriu as asas.

— Vocês vieram me buscar.

Emberion não foi ouvido quando respondeu. A chama em sua garganta produziu apenas fumaça.

— Ele não é seu — gritou Zephirion.

— Eu sou o que restou quando vocês seguiram sem mim.

Aurelion avançou pela ponte.

— Nós não seguimos.

A chama escolheu.

— E vocês aceitaram.

Ash'kar lançou uma onda de fogo negro. O grupo se espalhou. Aurelion bloqueou, mas a energia abriu outra cicatriz em seu peito. Luminor tentou alcançar Ash'kar pelas costas. A fênix virou-se no ar e o golpeou com a asa. Luminor caiu na névoa. Glaciron criou uma plataforma sob ele. Abyssal puxou-o de volta.

— Não me agradeça — disse o tritão.

— Eu não ia.

Thaurion entrou no centro da ponte. A cicatriz em sua palma brilhava com força.

— Ash'kar, olhe para mim.

A fênix virou o rosto.

— Eu me lembro de você, velho.

— Então lembre-se do seu nome.

— O nome Emberion morreu em Pyralis.

— Nomes podem morrer.

Vínculos, não. Ash'kar rugiu. A névoa inteira se levantou. Nirvok recuou, protegendo o rosto.

— Mestre, o ritual ainda não está pronto.

A sombra de Kael’Thar surgiu dentro do fogo de Ash'kar.

— Não preciso de um ritual completo.

Preciso apenas que eles escolham entre matar e perder. Ash'kar abriu as garras. O vale começou a desmoronar. Thaurion ergueu um círculo de luz ao redor dos Guardiões.

— Entrem no vínculo!

— O que isso significa? — perguntou Zephirion.

— Lembrem-se juntos!

Os seis uniram as mãos. A pequena fênix pousou sobre os dedos de Aurelion e Thaurion. As marcas acenderam, e o pássaro soltou um grito dourado. Ash'kar atacou. A ponte se rompeu. O círculo caiu na névoa. E todos foram arrastados para dentro da memória de Emberion.