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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 40 — O deus do medo

A queda começou no topo. Kael’Thar conseguiu levantar-se. A armadura estava quebrada. A coroa de oito pontas flutuava sobre sua cabeça. A pequena parte dourada do coração permanecia em seu peito, ligada à cicatriz de Thaurion.

— Você acha que pode me selar com uma lembrança? perguntou.

Thaurion, dentro do núcleo, respondeu através de todos os cristais:

— Não.

Posso apenas garantir que você não será a única lembrança. O titã recuperou a firmeza dos braços e lançou as seis armas. Aurelion recebeu a corrente no escudo. Luminor desviou da espada sem lâmina. Glaciron congelou o espelho. Abyssal partiu a coroa com uma maré. Zephirion levou o fragmento de medo para longe. Emberion enfrentou a arma restante, uma lâmina feita de cinzas. Kael’Thar avançou contra Aurelion.

— Você sabe o que acontecerá quando ele for embora.

— Sei.

— Thaurion não vai voltar.

Aurelion apertou a espada.

— Então faremos a torre lembrar dele.

Kael’Thar golpeou. Aurelion caiu de joelhos. A lâmina de cristal partiu-se ao meio. A mancha em seu peito se abriu, e a voz do irmão atravessou a dor.

— Se você cair, eu levanto.

Aurelion fechou os olhos.

— Ainda não.

Ele ergueu o escudo quebrado com as duas mãos. Luminor cruzou suas lâminas sobre o escudo. Glaciron prendeu a base. Abyssal envolveu os três em água. Zephirion criou um vento espiralado. Emberion lançou a chama azul. O ataque conjunto atingiu o peito de Kael’Thar. O titã abriu-se. Dentro dele havia um homem ajoelhado diante da fenda branca. Kael’Thar voltou a ter o tamanho de um guardião. A armadura negra cobria metade do corpo. A outra metade ainda trazia o metal claro de uma ordem antiga. Thaurion apareceu à frente dele, feito de luz e sombra.

— Nós poderíamos ter pedido ajuda.

— Eu pedi.

— A mim?

— Ao mundo.

— E o mundo respondeu?

Kael’Thar olhou ao redor. Os seis Guardiões permaneciam de pé, feridos, cercados por memórias libertadas.

— Eles vão me abandonar quando a torre cair.

Emberion aproximou-se.

— Talvez alguém abandone você.

Kael’Thar ergueu o rosto.

— Você não deveria falar comigo.

— Eu passei pelo lugar onde você me deixou.

— Eu não deixei você. Eu ofereci descanso.

— Você ofereceu o fim da escolha.

Kael’Thar voltou a crescer. A fenda branca abriu-se atrás dele.

— A escolha é uma crueldade.

Toda decisão cria uma perda. Emberion tocou a própria asa violeta.

— Então a perda também deve ter direito de existir.

Kael’Thar atacou a fênix. Aurelion entrou no caminho. O golpe atravessou seu escudo. Luminor e Glaciron seguraram o braço. Abyssal e Zephirion prenderam o outro. Emberion tocou o peito do antigo guardião. Não queimou. Mostrou uma memória de Kael’Thar antes da fenda. O guardião estava sentado ao lado de Thaurion, tentando secar um caderno manchado de sopa. Seus ombros continuavam tensos; o sino do vale ainda podia ser ouvido. Por alguns instantes, porém, ele permitira que alguém dividisse a vigília. Kael’Thar tentou destruir a visão. Thaurion segurou sua mão.

— Você não precisa ser perdoado para parar.

O antigo guardião tremeu.

— Se eu parar, tudo que fiz será apenas erro.

— Não.

Será consequência. Kael’Thar olhou para as próprias mãos.

— E quem carrega isso?

Thaurion respondeu:

— O que você fez não vai desaparecer. Mas ainda podemos impedir a próxima perda.

O Vazio abriu-se atrás de Kael’Thar. A escuridão puxou o corpo dele. Ele não resistiu imediatamente. Aurelion estendeu a mão.

— Venha conosco.

Kael’Thar olhou para ele.

— Você ainda não sabe o que aconteceu com seu irmão.

Aurelion ficou imóvel.

— O que você fez com ele?

O rosto de Kael’Thar se desfez em sombra.

— Quando o trovão voltar, pergunte a quem responder.

Ele foi puxado para o Vazio. Thaurion gritou:

— Agora!

O núcleo começou a colapsar. A coroa de oito pontas girava fora de controle. Se explodisse, levaria Topázio inteiro. Thaurion colocou as mãos sobre os pontos de ligação que a coroa mantinha abertos.

— Eu preciso selar o coração.

Aurelion correu até a borda do núcleo.

— Voltaremos por você.

— Eu sei.

— Prometa.

Thaurion sorriu.

— Promessas são raízes.

Plante esta no lugar certo. Emberion abriu as asas.

— Thaurion...

— Você voltou do fogo.

Agora deixe o fogo continuar em vocês. Os seis Guardiões foram lançados para a ponte. Thaurion permaneceu no centro. O núcleo fechou-se ao redor dele. A Torre Obsidiana começou a cair.