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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 35 — Emberion renascido

Antes de subir à torre, os Guardiões encontraram um espaço de calmaria entre os mundos. Era uma plataforma circular, cercada por estrelas quebradas. O silêncio ali não apagava memórias. Apenas permitia que respirassem. Emberion estava deitado no centro. O corpo ainda trazia as marcas de Ash'kar. A asa esquerda era feita de fogo dourado; a direita, de brasas violeta. O peito pulsava em dois ritmos diferentes. Aurelion ajoelhou-se ao lado dele.

— Como se sente?

— Como se tivesse morrido duas vezes e acordado no intervalo.

Zephirion sentou-se no chão.

— Isso é melhor ou pior do que uma morte comum?

— Ainda estou decidindo.

Luminor observou as lâminas.

— Kael’Thar disse que você é uma ameaça ao equilíbrio.

— Ele diz isso sobre qualquer coisa que não consegue controlar.

Glaciron retirou a pedra morna que guardava junto ao peito. O reflexo da asa violeta de Emberion atravessou o cristal.

— Você não expulsou a sombra.

— Não.

— Por quê?

Emberion olhou para a própria asa.

— Porque ela é minha. Não vou entregá-la a outro guardião para que ele decida o que fazer com ela.

Abyssal assentiu.

— Finalmente alguém entende o mar.

Abyssal despejou o restante do cantil em uma depressão da plataforma. Glaciron usou a água para completar o antebraço direito. Os dedos cresceram desiguais; precisou desfazer dois e tentar outra vez. Aurelion reuniu os pedaços do escudo sobre a manopla. Conseguiu recompor uma proteção estreita, menor que a anterior. A correia se apoiava exatamente sobre a atadura de Gaia. Ao apertá-la, o braço voltou a tremer. Emberion observou o gesto.

— No Vale, fui eu quem atingiu você.

Aurelion deixou a fivela aberta.

— Foi.

— Eu me lembro do que queria fazer.

— Ainda quer?

Emberion demorou a responder. A asa violeta se contraiu, soltando cinza sobre a pedra.

— Às vezes, a raiva chega antes da lembrança de vocês.

Luminor afastou a tigela de água do alcance da asa, sem esconder o movimento.

— Então nos avise quando acontecer.

A fênix olhou para o espaço deixado entre eles. Não pediu que Luminor o diminuísse.

— E se eu não perceber a tempo?

— Nós afastamos quem estiver perto — disse Abyssal.

Depois falamos com você. Aurelion fechou a fivela.

— A gente vai precisar aprender. Isso não termina nesta pedra.

Emberion assentiu. Durante algum tempo, ficou ajudando Glaciron a dosar o calor da água. Não usou as asas. Concentrar uma chama tão pequena exigia toda a sua atenção. Thaurion permaneceu afastado, comprimindo o flanco. Tentara trocar a atadura sozinho; havia sangue no tecido dobrado ao lado dele. Aurelion recolheu uma faixa limpa e se aproximou.

— Você ia nos contar quando caísse de novo?

O minotauro soltou a borda do manto. Emberion chamou-o.

— Venha.

O minotauro se aproximou.

— Você abriu a porta para Kael’Thar.

— Sim.

— E vai abrir a porta para a torre.

— Talvez.

— Então não fique sozinho atrás dela.

Thaurion encarou a fênix.

— O que você quer que eu faça?

— Diga aos outros quando estiver com medo.

O minotauro respirou.

— Estou com medo agora.

Emberion sorriu.

— Melhor.

As marcas dos Guardiões começaram a brilhar. O Cristal da Tempestade e o Cristal da Vida flutuaram acima deles. A metade corrompida da tempestade tentou se aproximar de Emberion. Emberion ergueu a mão. O fogo negro não foi destruído. Foi envolvido por uma chama azul, purificado o bastante para parar de morder. Uma nova marca nasceu em seu peito: um círculo dividido entre ouro e violeta, atravessado por uma linha azul. Thaurion reconheceu o símbolo.

— Guardião do Equilíbrio.

— Nome grande para alguém que ainda não consegue dormir.

— Os nomes grandes costumam esconder pessoas cansadas.

Emberion levantou-se. Quando abriu as asas, a plataforma inteira foi iluminada. A luz dourada não expulsou a sombra; as duas cores formaram uma aurora escura, bonita e perigosa. Zephirion assobiou.

— Agora você parece mais difícil de matar.

— Não teste.

O grupo se reuniu diante da escadaria. Aurelion colocou a mão no corrimão negro.

— A torre vai tentar separar-nos.

— Então faremos o que aprendemos — disse Luminor.

— O quê?

— Lembrar.

Emberion olhou para o céu sem estrelas.

— Kael’Thar não está no topo porque quer o mundo.

— O que ele quer? — perguntou Abyssal.

— Que ninguém seja capaz de perdê-lo.

Thaurion segurou o cajado.

— E, para isso, ele vai transformar todos em parte dele.

Subiram. No primeiro degrau, as estrelas quebradas se moveram. No segundo, o vento desapareceu. No terceiro, o Cristal da Vida soltou uma raiz verde que atravessou a escadaria. No topo, uma torre negra apareceu inteira, viva, respirando. Em suas janelas, milhares de olhos se abriram. A Torre Obsidiana falou:

— Entrem, Guardiões.

As portas se abriram como uma boca. No fundo dela, Kael’Thar esperava com uma coroa feita de oito pontas.