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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 22 — Pyralis sob a areia

O Templo de Pyralis fora construído em torno de um vulcão adormecido. Suas colunas vermelhas subiam até um teto perdido sob a areia, e canais de fogo corriam pelas paredes como veias. No centro, um altar circular guardava a Última Chama. Ifirak surgiu diante dele. Era um guardião de fogo, alto e coberto por uma armadura de placas negras. As chamas que saíam de seu corpo eram alaranjadas, mas havia sombras dentro delas. Em vez de rosto, tinha uma máscara rachada.

— Você chega tarde, Emberion.

Emberion abriu as asas.

— Eu não sabia que estava sendo esperado.

— Toda chama é esperada por quem está congelando.

Ifirak ergueu o braço. O fogo do templo reuniu-se em uma espada.

— Ajoelhe-se diante de Pyralis.

— Já estou cansado de templos que exigem joelhos.

Ifirak atacou. O primeiro golpe atravessou o ar onde Emberion estivera. A fênix girou, lançou três lanças de fogo e foi seguida por uma explosão do altar. Aurelion protegeu os demais com o escudo.

— Não deixem que eles se aproximem da chama!

Glaciron lançou uma muralha de gelo sobre os canais. A água evaporou antes de tocar o chão, mas o vapor criou uma névoa espessa. Zephirion espalhou a névoa para esconder Luminor, que correu pelas laterais do salão. Abyssal abriu um jato de água cristalina contra Ifirak. O guardião de fogo absorveu o impacto. A água transformou-se em vapor dentro de sua armadura.

— O mar não apaga aquilo que nasceu para arder.

— Talvez você esteja usando fogo demais — disse Abyssal.

Ele puxou água das pedras, não para atingir Ifirak, mas para resfriar os canais ao redor. As plataformas começaram a endurecer. Luminor apareceu atrás do inimigo. Sua lâmina rachada cortou o ombro de Ifirak. A armadura negra abriu-se, revelando fogo branco. Ifirak rugiu e lançou uma onda de calor. Luminor foi jogado contra a parede. Emberion mergulhou sobre o adversário. As duas criaturas colidiram no alto do templo, asas e chamas se misturando. Ifirak mordeu a asa de Emberion e o arremessou contra o altar. A Última Chama oscilou. Emberion sentiu uma dor que não era do corpo.

Uma voz infantil sussurrou dentro dele:

— Você sempre chega quando já queimou tudo.

Ele levantou o rosto. Ifirak estava sobre ele.

— Eu também fui chamado de filho da cinza — disse o guardião caído.

— Pyralis prometeu que meu fogo protegeria o mundo.

Os outros guardiões temeram meu poder. Então me selaram aqui, dentro da própria chama.

— Você deixou o medo decidir por você.

— Eu dei ao medo uma coroa.

Ifirak golpeou. Emberion rolou, e a espada cravou-se no altar. O fogo da Última Chama se abriu, mostrando uma visão. O templo inteiro viu. Ifirak, antes da corrupção, ajoelhado diante dos antigos guardiões. Eles discutiam se o fogo deveria ser usado para proteger ou atacar. Um ancião retirava a chama de seu peito.

— Você é instável — dizia.

Ifirak gritava.

— Sou necessário!

O ancião respondia:

— Ninguém é necessário a ponto de governar os outros.

A visão terminou com Ifirak tocando uma lasca do Vazio. Emberion encarou-o.

— Você não foi abandonado.

Foi impedido de destruir o que queria proteger. Ifirak avançou com fúria. O salão tornou-se um furacão de fogo. Aurelion perdeu o escudo. Glaciron teve o braço direito derretido até o cotovelo. Abyssal criou uma tempestade de vapor. Zephirion ficou preso entre duas colunas. Luminor lutava de joelhos, usando apenas a lâmina rachada. Thaurion desenhava selos no chão, mas cada selo queimava antes de terminar.

— Emberion!

A chama não pode ser tomada pela força!

— Então como?

— Descubra!

Ifirak atingiu Emberion no peito. A fênix caiu sobre o altar. A brasa sob sua clavícula abriu-se como uma ferida. Dentro dela, Emberion viu uma casa de cinzas. Viu a primeira vez que despertara. Viu o vulcão que chamava de lar sendo destruído por uma tempestade negra. Viu-se sozinho entre as brasas, tentando juntar fogo suficiente para ressuscitar o que se fora. Percebeu que nunca lutara para proteger a chama. Lutara para provar que ainda podia ser amado por ela. Emberion fechou os olhos. Apagou o próprio fogo. Ifirak parou.

Sem chamas para consumir, a espada em sua mão se desfez. A armadura perdeu o brilho.

— O que está fazendo?

— Parando de alimentar você.

Emberion tocou a Última Chama com a mão nua. O templo inteiro ficou escuro. Então uma chama dourada nasceu dentro da escuridão.