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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 33 — Os ventos que lembram

Zephirion não suportava o silêncio. No céu imóvel, ele se sentia como uma flecha lançada contra uma parede. Seus braços se moviam, mas o ar não respondia. A mulher desconhecida permanecia no maior espelho, a mão estendida.

— Você chegou tarde — disse ela.

— Eu ainda não sei seu nome.

— Você não precisa de um nome para ficar.

Ao redor, os outros espelhos mostravam futuros possíveis. Em um, a mulher desaparecia. Em outro, Zephirion a salvava, mas perdia todos os demais. Em outro, ele escolhia o grupo e ela nunca existia.

— Escolha — exigiu o Labirinto.

Zephirion riu.

— Vocês adoram essa palavra.

O riso ecoou, mas não se espalhou. Ele tentou criar vento. Nada. Tentou gritar. A voz voltou para dentro. Então lembrou de Osai. Lembrou de ter perdido o controle. Lembrou de Aurelion segurando seu pulso, de Emberion empurrando-o para a margem, de Luminor mandando-o tentar melhor. O ar não nascia dele sozinho. Zephirion fechou os olhos e chamou pelos outros.

— Luminor.

Uma linha dourada apareceu no céu.

— Glaciron.

Uma névoa fria atravessou os espelhos.

— Abyssal.

Uma gota de água flutuou diante dele.

— Aurelion.

Uma faísca de cristal bateu no vazio.

— Thaurion.

O céu tremeu.

— Emberion.

Uma brasa dourada acendeu dentro do espelho. Zephirion abriu os braços.

— Eu não preciso escolher entre ficar e salvar.

Preciso lembrar que não faço isso sozinho. O primeiro vento nasceu. Os espelhos giraram. A mulher desconhecida sorriu.

— Agora você pode me encontrar.

Ela desapareceu, mas deixou uma corrente de ar azul presa ao pulso de Zephirion. No oceano de Abyssal, o clã esperava. Os anciãos ofereceram o tridente cerimonial. O pai colocou a mão sobre seu ombro.

— Volte para casa.

Abyssal queria acreditar. O reino submerso era belo. As correntes obedeciam. Ninguém apontava para sua marca. Havia um lugar preparado para ele no salão central. O reflexo coroado surgiu atrás do pai.

— Fique e seja aceito.

Abyssal olhou para o tridente.

— E o que acontece com quem não cabe aqui?

— Aprende a caber.

— Eu não quero uma casa que precise me diminuir.

O oceano se agitou. O pai tornou-se uma criatura de coral negro. O clã inteiro se transformou em olhos.

— Você não pertence a nós.

Abyssal abriu o tridente.

— Talvez.

Ele criou uma corrente que não levava ao reino nem à superfície. Levava a um terceiro caminho, feito de água escura e azul.

— Eu pertenço ao que escolho proteger.

O oceano se dividiu. O menino preso no navio apareceu mais uma vez. Abyssal o tomou pela mão.

— Vamos.

— Para onde?

— Para onde a corrente levar.

O menino entrou em seu peito como luz. O reino desapareceu. Quando Zephirion e Abyssal se encontraram no corredor, os dois estavam molhados e cobertos de faíscas.

— Você encontrou a saída? — perguntou Zephirion.

— Encontrei uma forma de não voltar.

— Parece útil.

O labirinto uniu os quatro caminhos em uma ponte de vento e água. No centro, um espelho mostrava Aurelion diante de sete portas. Ele segurava a espada, mas não sabia qual abrir. Uma voz chamava de cada uma. Em uma, o irmão perdido. Em outra, Emberion. Na terceira, Thaurion. Nas demais, rostos de pessoas que Aurelion não conseguia nomear.

— Você só pode salvar um — disse o Labirinto.

Aurelion fechou os olhos.

— Essa é uma mentira cruel.

— É uma realidade.

— Não. É uma escolha feita antes de mim.

Ele não abriu porta alguma. Cravou a espada no chão. As sete portas começaram a se mover em direção umas às outras. Aurelion ergueu o escudo e suportou o impacto.

— Eu não sou o homem que chega a tempo de todos.

As portas bateram contra ele.

— Sou o homem que abre espaço para que outros cheguem.

O escudo se partiu. A marca em seu peito brilhou. Os sete caminhos formaram uma única passagem. Do outro lado, o irmão perdido aproximou-se através da luz.

— Você finalmente escolheu não escolher.

Aurelion levantou a espada.

— Escolhi não deixar que a perda seja usada para me governar.

O rosto do irmão sorriu com tristeza.

— Então você está pronto para vê-lo.

A passagem abriu-se para uma sala sem paredes. No centro, Thaurion estava diante da fenda branca. E Kael’Thar segurava a sua garganta.