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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 20 — As raízes em chamas

Mirakel fechou-se atrás deles. A passagem de raízes desapareceu assim que o último Guardião atravessou. No lugar da floresta, havia apenas uma muralha verde coberta de névoa. De dentro, vinham sons de madeira quebrando e espíritos chamando uns pelos outros. Zephirion voltou-se.

— Não podemos deixá-la sozinha.

— Não estamos deixando — respondeu Aurelion.

— Estamos levando o que ela nos confiou.

Thaurion segurava o Cristal da Vida dentro de um invólucro de folhas douradas. A pedra pulsava devagar, como um animal ferido. A cada pulso, uma luz verde percorria os braços dos Guardiões. Glaciron observou o horizonte sul.

— Quanto tempo a floresta tem?

Thaurion não respondeu imediatamente.

— O suficiente para nos dar uma chance.

— Essa não foi a pergunta.

— Eu sei.

Os sete acamparam na beira de um rio seco. O leito estava cheio de peixes cristalizados, congelados em posições de fuga. Abyssal ajoelhou-se e encostou a mão na água que restava entre as pedras.

— Eles ainda estão vivos.

Ele puxou a palma. Uma pequena corrente azul deslizou por entre os dedos.

— A corrupção não mata primeiro — explicou.

— Ela convence a vida de que já morreu.

Emberion olhou para a floresta.

— Então temos que chegar à chama antes que ela convença todo o mundo.

— A chama de Pyralis não é uma arma — disse Thaurion.

— Preciso saber o que ela cobra antes de chegarmos.

— É por isso que o templo exige um preço.

Aurelion virou-se.

— Que preço?

Thaurion fechou o invólucro de folhas.

— Os registros falam em entregar parte da própria essência. Não dizem como recuperar o que for entregue.

Emberion ficou olhando para o invólucro. Uma folha começara a secar na borda.

— Então vamos descobrir se existe outro caminho.

— Vamos — respondeu Thaurion.

Dessa vez, o minotauro sustentou o olhar dele. Durante a madrugada, as raízes da floresta começaram a aparecer no céu. Eram longas, negras em alguns pontos, e se estendiam como veias até desaparecerem nas nuvens. Uma delas caiu no acampamento. Aurelion acordou os outros. A raiz atingiu o chão e abriu uma fenda. Criaturas pequenas, feitas de folhas mortas e cristal escuro, saíram rastejando. Glaciron congelou a primeira. Ela continuou se movendo dentro do gelo. Luminor cortou duas, mas os pedaços viraram espinhos. Zephirion criou uma rajada que levou as criaturas para longe do cristal.

Emberion queimou a raiz, e ela gritou. Thaurion ergueu o cajado.

— Não é Mirakel atacando. É a doença procurando uma ponte.

Aurelion formou uma linha de defesa.

— Então não daremos uma.

A batalha foi curta e violenta. As criaturas não tinham força, mas surgiam de cada pedaço de raiz. Abyssal encheu o leito seco com água puxada das profundezas. Glaciron congelou a corrente na forma de uma muralha. Luminor cortou a raiz principal. Zephirion levou os estilhaços para o céu. Emberion transformou o resto em cinza azul. O último fragmento se arrastou na direção do invólucro. Emberion pisou sobre ele.

— Você não vai tocar nela.

O fragmento assumiu a forma de um pássaro pequeno. Sua voz era a de uma criança.

— Por favor.

Emberion hesitou. A criatura usou a hesitação para morder sua perna. O fogo subiu pela armadura. Emberion gritou e soltou uma explosão. Quando as cinzas baixaram, havia um círculo queimado ao redor de seu pé. Aurelion aproximou-se.

— Você está bem?

— Não.

O cavaleiro esperou. Emberion sentou-se sobre uma pedra.

— A coisa falou com uma voz que eu conheço.

— Uma lembrança?

— Uma possibilidade. Talvez seja pior.

Glaciron entregou-lhe um pedaço de gelo.

— Segure.

Emberion encostou o gelo na queimadura.

— Achei que o frio não gostasse de mim.

— O frio não gosta de ninguém. Ainda assim, pode ajudar.

Os sete permaneceram juntos até o amanhecer. Thaurion percebeu que a marcha os transformava. Ainda havia desconfiança, mas já não havia solidão completa. Quando um dormia, outro vigiava. Quando uma marca ardia, quatro mãos se estendiam. Antes de partirem, uma folha verde nasceu no invólucro do Cristal da Vida. Nela, Varnak gravou uma frase: Não deixem que o fogo seja apenas destruição. Emberion leu em silêncio.

— Ele está falando comigo.

— Está falando com todos — respondeu Thaurion.

O Deserto Escarlate esperava além das colinas. Ao pisarem na primeira faixa de areia, uma onda de calor atravessou os corpos. Glaciron perdeu parte do brilho. Zephirion não encontrou vento algum. Abyssal sentiu a água dentro de si evaporar. Até Aurelion pareceu mais pesado. Emberion foi o único que respirou com facilidade. No alto de uma duna, ele ouviu a chama dizer seu nome. Não era um chamado. Era uma cobrança.