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Topázio — O Despertar dos Cristais

Capítulo 27 — A profecia do eco

O Salão da Luz foi convertido em uma sala de guerra. Mapas cobriam o chão. Cristais menores flutuavam sobre as mesas. Mensageiros iam e voltavam com relatos de vilas atacadas. A corrupção não avançava em linha; aparecia onde encontrava uma lembrança forte o bastante para abrir caminho. Dois mensageiros haviam trazido de Gaia os livros pedidos por Thaurion. O Salão da Luz de Vila Topázio ficava cheio de refugiados durante o dia; à noite, os Guardiões ocupavam uma mesa entre os leitos. Uma parte da muralha continuava aberta, e o vento espalhava pó de pedra sobre os mapas.

Eram volumes sem capa, escritos em placas de cristal. Cada página mudava de idioma conforme era lida. Luminor ajudou a projetar a luz. Abyssal trouxe água para resfriar as pedras. Glaciron segurou uma coluna que ameaçava cair. Zephirion caminhava de um lado para o outro.

— Você ouviu a voz dentro da pedra — disse Zephirion.

— Ouvi.

— E reconheceu?

Thaurion procurou um trecho que já lera três vezes.

— Reconheci o efeito. Não sei quem estava falando.

Emberion, na forma de pequena fênix, soltou uma faísca. Thaurion abriu uma placa coberta por círculos.

— Há referências a uma origem comum aos elementos.

As páginas que deveriam explicá-la foram arrancadas.

— Por você? — perguntou Glaciron.

Thaurion passou o dedo na borda quebrada da placa.

— Estas, não.

O dano é mais antigo que minha escrita. Aurelion tocou uma linha escura na placa.

— Kael’Thar — disse Aurelion.

O minotauro fechou o livro.

— O vestígio tem a mesma marca dele. Isso eu reconheço.

Mas estas páginas não bastam para explicar o que havia antes.

— Você pode dizer se ele ainda tem corpo.

— Não sei.

— Se ele for a origem, por que está usando uma fênix?

Thaurion olhou para Emberion.

— Porque a chama é a única coisa que consegue atravessar o Véu do Esquecimento sem ser apagada completamente.

O salão esfriou.

— O que é o Véu? — perguntou Abyssal.

— Uma fronteira entre a realidade e aquilo que foi removido dela.

Luminor colocou as mãos na mesa.

— Você fala como se já tivesse estado lá.

Thaurion respondeu baixo:

— Eu estive.

Aurelion esperou. O minotauro respirou fundo.

— Muito antes desta reunião, propus a Kael’Thar que estudássemos uma fenda.

Ele acreditava que o Vazio podia impedir novos desastres entre os elementos. Eu queria compreender por que a abertura se mantinha onde nenhuma força conseguia agir.

— E ele abriu — concluiu Luminor.

— Nós abrimos.

Thaurion colocou a palma da mão sobre a placa.

— Pedi que me esperasse enquanto buscava instrumentos. Quando voltei, ele tinha tocado a fenda.

Tentei puxá-lo. A abertura se fechou sobre minha mão. Aurelion observou a cicatriz.

— O que aconteceu com os fragmentos?

— Recolhi sete fragmentos do cristal que ele carregava.

Os anciãos os incorporaram aos santuários para que a rede não colapsasse. A oitava parte sumiu. A lasca da minha caverna é apenas rocha marcada pelo contato; nunca tive o oitavo cristal.

— Onde está?

— Ninguém sabe.

Uma sombra entrou pela janela. O céu acima de Vila Topázio ficou sem estrelas, embora ainda fosse noite jovem. As janelas do Salão da Luz escureceram. O Cristal da Vida e o Cristal da Tempestade começaram a pulsar ao mesmo tempo. Uma frase apareceu na placa: Quando os sete se abrirem, o oitavo mostrará o caminho. Zephirion leu a linha.

— Isso é a profecia?

Outra linha surgiu: O Eco Inverso devolverá ao passado aquilo que o futuro esquecer. Thaurion recuou.

— Não.

No centro do salão, o mapa de Topázio se dobrou sobre si mesmo. Uma nova região apareceu sob o continente, desenhada de cabeça para baixo. O Vale do Esquecimento era apenas a entrada de um labirinto que atravessava tempo, espaço e memória. Emberion saiu do braço de Aurelion e voou até o mapa. A pequena fênix tocou o desenho. Uma voz saiu dela, distorcida, quase humana:

— Eu lembro.

Todos ficaram imóveis. Aurelion deu um passo.

— Emberion?

A fênix tentou falar de novo. Somente cinzas caíram de seu bico. Do outro lado do templo, uma gargalhada ecoou. Kael’Thar não apareceu. Sua presença se espalhou pelos cristais.

— Vocês estão procurando um inimigo. Mas a guerra já está dentro do amigo que carregam no ombro.

A fênix de cristal abriu as asas e lançou uma chama contra o teto. A voz desapareceu, mas a chama deixou uma fenda dourada. Thaurion olhou para o grupo.

— Partimos antes do amanhecer.

Luminor pegou a lâmina rachada.

— Você vai nos contar o resto no caminho?

— Se eu sobreviver ao que preciso contar.

Aurelion aproximou-se do minotauro.

— Se Kael’Thar foi seu companheiro, por que ele chama você de culpado?

Thaurion olhou para a escuridão além das janelas.

— Porque, em parte, ele tem razão.

O silêncio que se seguiu foi mais assustador que qualquer voz. No extremo norte, o Vale do Esquecimento abriu um olho. Dentro dele, Emberion acordou com um nome que não era mais seu. Ash'kar.